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Brasil

Vereador quer a volta dos rodeios a Guarulhos

Uma audiência pública, realizada no dia 7 de outubro, na Câmara Municipal de Guarulhos, reuniu cerca 200 pessoas, entre especialistas e ativistas do movimento de proteção animal. Foram sete horas de debates sobre o Projeto de Lei 330/05, do vereador Wagner Freitas (PR), que pretende retomar a prática dos rodeios e vaquejadas no município paulista. Nas galerias, e entre os especialistas convidados a palestrarem sobre o tema, verificou-se que a ampla maioria era de pessoas contrárias ao retorno dos rodeios.

Os eventos de rodeios, circos com animais e vaquejadas foram proibidos em 2005, com a promulgação de uma emenda do vereador José Luiz (PT) à Lei 6.033/05, de Zoonoses. A proposta do vereador Freitas é de suprimir o artigo 26, da lei de Zoonoses, permitindo, assim, a volta de tais atividades. A justificativa do vereador é de que o rodeio é uma atividade consagrada como profissão e prevista na Lei Federal 10.220/2000.

Durante a audiência o clima foi tenso, com tumulto na galeria e agressões por parte dos defensores dos rodeios. A Guarda Civil Municipal foi chamada a intervir para que os trabalhos tivessem sequência.

O vereador Freitas contou com a exposição do coordenador do Centro de Estudos do Comportamento Animal, Orivaldo Tenório de Vasconcelos, para defender sua proposição. Tenório afirmou que os bois e os cavalos são bem tratados nos rodeios e que sempre foi a favor do bem-estar animal. “O que eu falar aqui está comprovado em pesquisas realizadas em mais de trinta mil observações: mesmo com o equipamento conhecido como sedém o animal se alimenta normalmente e demonstra interesse pela fêmea no cio”, disse. Ao mesmo tempo, Tenório admitiu que em muitos rodeios no Brasil existe o sofrimento dos animais.

O vereador Freitas falou que há excesso quando são feitas as comparações de animais usados nesses eventos com maus-tratos. “Se não puder ter cavalhada, também não pode ter cãominhada, porque ninguém pergunta aos cachorros se eles querem participar”, disse.

Na avaliação da representante da Secretaria Municipal de Saúde, Cristina Magna Bosco, seria um retrocesso mudar o Código de Zoonoses com o objetivo de permitir o uso de animais para entretenimento.

Sofrimento

Para a bióloga Sônia Fonseca, os argumentos apresentados pelo vereador e seu convidado são absolutamente inconsistentes e contrários à realidade de maus-tratos e sofrimentos experimentada pelos animais nas arenas. “Para se ter uma idéia, o vereador reclamou pelo fato de ter menos tempo para falar, pois só tinha como convidado o Tenório, e ao lhe ser concedido mais tempo, ele usou apenas quatro minutos dos quinze autorizados. Ele não tinha o que dizer”, comentou. A bióloga, que é presidente do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, fez uma apresentação didática sobre todos os instrumentos utilizados nos rodeios, registrando todo o sofrimento a que são submetidos os animais. Além dos maus-tratos causados pelos equipamentos, Fonseca lembrou que é preciso considerar o estresse que o animal sofre em decorrência do barulho, gritaria, e também as viagens constantes. “Mostrei também os resultados pós-rodeios, o estado em que ficam os animais e que ninguém vê”. A bióloga ressalta que nas mais de seis horas de audiência ficou claro que a grande maioria das pessoas é contrária ao retorno dos rodeios e vaquejadas.

Irvênia Prada, médica veterinária docente e orientadora do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, falou sobre o processo de dor e os estudos científicos que comprovam a senciência animal, isto é, que demonstram que os animais são capazes de sentir dor, estresse, angústia, prazer. Segundo ela, não se pode aceitar a justificativa de que os rodeios estão embutidos na cultura brasileira. “Há mais de cem anos se falava que escravidão era cultura e hoje quem pode sustentar esse argumento?”, questionou.

O vereador José Luiz afirmou que “uma ação que troca sofrimento por diversão é um paradigma que deve acabar. Não podemos regredir”, disse ele.

Os vereadores José Mário e Luiza Cordeiro também fizeram coro para defender a manutenção da lei que está em vigor. “Os equipamentos usados nos rodeios vão contra o meu lado humano e também como médico profissional”, revelou Mário. Já a vereadora Luiza afirmou que a lei do vereador José Luiz foi uma grande conquista da cidade e do Legislativo e que não poderiam retroceder.

Proibição

Em decisão recente, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu a utilização de qualquer equipamento que cause dor ou inquietação aos animais na Festa do Peão de Descalvado. Segundo os organizadores, sem os acessórios os animais não pulam e por isso as provas foram canceladas.

A Ação foi proposta pelo Ministério Público, que apresentou entre os argumentos o de que os rodeios prejudicam a educação ambiental, uma vez que vinculam o sofrimento dos animais com a diversão.

 

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